Jovens com 20 anos falam sobre o que mudou… nos últimos 20 anos

“A nossa geração não tem medo de evoluir e de assumir que errou”

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Joana Conde é de Vagos e prepara-se para prosseguir estudos em Ciências Farmacêuticas. Zé Vida, de Soza, terminou recentemente a licenciatura em Comunicação e Design Multimédia. Já Daniela Francisco, de Ponte de Vagos, é finalista do curso de Marketing. O que é que estes três jovens têm em comum? Todos nasceram em 2001, partilhando o ano de nascimento com o jornal O Ponto. À nossa publicação falam sobre o passado, o presente e o futuro, falam sobre as ambições e o que gostavam de ver ou fazer acontecer e analisam a geração Z, à qual pertencem, e a forma como os jovens de hoje vivem o mundo.


Já temos os nomes… mas queremos saber o que vos levou a escolher esses cursos.

Joana Conde (JC) – Eu sempre me envolvi muito com a parte da saúde, sempre me cativaram os medicamentos. Todo o processo por trás, como é que atuavam… sempre achei muito interessante esta inovação na indústria e na investigação para conseguirmos atacar as doenças e os medicamentos sempre me cativaram muito. Como é que se fazem? Como é que atuam? Na altura do 12.º ano comecei a preocupar-me mais com isso, comecei a pesquisar mais sobre o curso e este foi o que me cativou mais e está a corresponder às minhas expetativas. Em termos profissionais ainda não sei bem… estou a fazer estágio em farmácia comunitária, aqui em Vagos, e estou a gostar bastante de estar ao balcão e da interação de farmacêutico com o utente. Mas no quinto ano vou realizar estágio em investigação, na indústria e logo verei qual a área que me cativa mais.


As pessoas que seguem essa formação procuram algo mais virado para os laboratórios, não?

JC – Sim, há muita saída. Portugal não tem muitas oportunidades nesse ramo, no estrangeiro sim. A maior parte vai para indústria, farmácia hospitalar… tem bastantes saídas. Análises clínicas, análises parasitológicas, trabalhar num hospital, tratamentos de água… há muito trabalho a envolver o curso. Ainda não sei bem em que área me quero especializar, estou a gostar muito de farmacoterapia personalizada e a parte da interação entre medicamentos, os mecanismos de ação, novos locais de ação… não é uma área muito fácil cá em Portugal mas acho que tem de haver sempre alguém interessado nisso.


Zé… a mesma pergunta.

Zé Vida (ZV) – Quando cheguei ali ao 12.º ano estava bastante indeciso. Sabia que gostava da parte de comunicação, do design, da parte da fotografia e vídeo… daí a escolha desse curso porque enquadrava essas áreas todas que eu gostava. Acabei a licenciatura, ao longo do curso acabei por desenvolver um maior gosto por comunicação e acho que é nessa área que quero apostar. Estive a fazer um estágio profissional nestes últimos 3 meses, numa agência em Lisboa que trabalha com influenciadores digitais e criadores de conteúdo. Foi uma experiência boa e bastante enriquecedora.

Consegues imaginar-te a trabalhar cá? O mundo digital é global.

ZV – Ser aqui ou noutro sítio, ao nível do trabalho prático é quase a mesma coisa porque pode ser feito autonomamente através de um telemóvel, de um computador ou de uma máquina fotográfica e não interessa muito a localização geográfica. Agora… o mercado é muito mais em Lisboa do que no resto do país. Aveiro ainda é um sítio muito pequeno para se apostar no mercado digital e em Lisboa há um leque imenso de oportunidades que estão constantemente a aparecer.


Não te vês a sair do país?

ZV – Não é propriamente o meu plano A mas não descarto como plano B. Quero tentar ao máximo ficar em Portugal porque tenho aqui a minha família e os meus amigos mas também não me mete muito medo a ideia de ir para fora. Se for para arriscar e tentar uma coisa nova, não vejo mal nenhum nisso.


E tu, Daniela?

Daniela Francisco (DF) – No secundário eu fui para Ciências mas não gostava propriamente de ciências… quando escolhi, queria ir para medicina veterinária mas tive biologia e percebi que já não queria. Mudei a minha perspetiva mas nunca soube bem o que é que queria. Quando tive de decidir, sabia que gostava de multimédia e escolhi audiovisual em Castelo Branco na primeira opção e marketing em Viseu na segunda opção. Acabei por entrar na segunda opção e não me arrependo nada. Neste momento, sei que estou no curso certo. É muito fácil tirar o curso, passar e teres boas notas… mas não é fácil gostares do que fazes. Neste momento, tenho ambição de alcançar coisas grandes e gosto de pensar assim. Não pretendo sair do país, por enquanto, mas quero trabalhar com grandes empresas e marcas diferentes. Não quero muito estar numa empresa em que só possa fazer marketing para aquela empresa porque não me interessa. Em relação a sair do país, nunca foi opção para mim mas agora, se houver um bom desafio, aceitarei. Principalmente se envolver Londres, Brasil… é possível que vá para lá.


O que é que mudou?

DF – No curso, assistimos a imensas palestras todas as semanas. E conhecer pessoas que começaram no meu curso e já trabalharam para a Adidas ou que fizeram o marketing dos Jogos Olímpicos, isso faz-nos querer atingir esses objetivos e acreditar que podemos conseguir. Neste momento ainda estou um pouco receosa com o que esperar… mas estou mais virada para o marketing organizacional ou gestão de marketing. Sonho? Sonho era trabalhar numa rádio e fazer o marketing deles, fazer os eventos e a gestão dos mesmos. Na MegaHits ou na Sumol, por exemplo, que são marcas com que me identifico. Mas se uma Adidas me chamar eu também vou logo [risos].


Têm alguma noção de como o mundo evoluiu nos últimos 20 anos?

ZV – Acho que temos um bocado de noção porque acabámos por crescer com essa evolução. Acho que fomos aquela geração que, desde que começou a entrar na escola até acabar o ensino, foi acompanhando todas as revoltas da tecnologia que foram surgindo. Eu lembro-me de estar na primária e um telemóvel ser algo que ninguém tinha e no meu 2.º ou 3.º ano já se começaram a ver miúdos com telemóvel. Depois o telemóvel já dava música, passaram a ser “touch”, smartphones… e nós fomos acompanhando tudo isto. Acho que, nos últimos 20 anos, o que mais mudou foi o impacto tecnológico.

JC – Parece que ainda há pouco tempo tínhamos aqueles telemóveis de teclas e agora andamos com telemóveis com “face ID”, telemóveis para os quais podemos falar e que fazem tudo. E não é só ao nível de telemóveis… também já temos, por exemplo, o Google Home onde podemos estar em casa, pedir ao Google para tocar uma música e ele começa a tocar. Lâmpadas que podem ser controladas pelo telemóvel… foi uma evolução gigante.

ZV – Acho que a maior coisa que surgiu foram as redes sociais que eram algo que não existia. Os meios de comunicação eram todos tradicionais e todos tiveram de se adaptar aos novos. Nós, hoje em dia, temos a capacidade de estar em qualquer lado do mundo a qualquer hora do dia.

JC – Até mesmo na escola podemos ter uma dúvida qualquer e vamos à internet onde muito facilmente recolhemos informação e esclarecemos a dúvida. Antigamente sinto que era algo que se guardava para perguntar à professora ou para ir a uma biblioteca. Agora é tudo muito mais fácil.

DF – Sim, a tecnologia é o que mais nos toca e onde vemos uma grande evolução. Mas mesmo, há 20 anos, nada disto (aponta para tudo à volta) era assim. Ou não eram como são feitas agora. E se formos a pensar, as coisas só evoluíram porque a tecnologia evoluiu.


O impacto social
Os três jovens começam a discutir entre eles e as perguntas d’O Ponto passam quase para segundo plano. Afinal, a análise ao que mudou nos últimos 20 anos também se faz durante a própria conversa. Já as respostas permitem perceber para onde se dirigem os seus “olhares”.


ZV – Acho que o maior impacto que houve nos últimos 20 anos foi mesmo social, do pensamento das pessoas. Há coisas que hoje em dia são totalmente aceites, ou que estão a caminhar para isso, e onde antigamente havia muito preconceito. Acho que a nossa geração foi uma geração que se deixou evoluir e informar, talvez porque também fomos uma parte desta evolução. Se andarmos 10 anos para trás pode não ser tão fácil acompanhar este pensamento. Temos uma nova perspetiva para ver as coisas, percebemos porque é que há coisas que não têm qualquer preconceito, que não têm de ser alvo de perjúrios.


De que preconceitos falas?

ZV – Eu acho que a sociedade portuguesa ainda é uma sociedade muito reservada, antiquada. É muito fechada. E a nossa geração acaba por ser uma lufada de ar fresco para temas como o racismo, a homofobia, a xenofobia… até a própria comunicação que fazemos uns com os outros, nós sabemos lidar com informações que nos dão todos os dias e pensamos que algo pode não estar tão certo e porquê. Informamo-nos e não temos problemas em reconhecer que, em certa altura das nossas vidas, um comentário podia ser mais racista e era aceite mas, hoje em dia, já não o fazemos. Também nos cabe a nós quebrar esses preconceitos.

DF – Nós estamos num concelho que é uma aldeia autêntica e acho que isso é muito escondido. Temos pessoas que continuam a ser assim mas que estão em casa, escondidas. E acho que a nossa geração é revolucionária nisso porque a partir da nossa geração é raro veres pessoas assim. As que são, são assumidamente.

ZV – O mundo não está dividido entre pessoas boas e más mas a nossa geração veio renovar um pouco esse pensamento.

JC – E nas gerações acima da nossa, penso que são mais os que não conseguem mudar do que aqueles que conseguem porque sempre foram incutidos com isso. E sinto também a vontade de revolta no nosso país é muito pequena em comparação com o que é feito em França, na Alemanha ou nos Estados Unidos… qualquer coisa que esteja mal, eles vão logo para a rua e apoiam-se uns aos outros. Nós somos talvez um pouco cobardes porque vemos as notícias mas depois o que fazemos? Temos muita falta de coragem, ficamos só a falar.

ZV – Não sei se diria falta de coragem. Talvez seja falta de valorização própria. O povo português acha que a sua opinião não acrescenta e isso tem consequências. Se houver movimento no estrangeiro, o povo português é capaz de ser o primeiro a apoiar e a dizer que concorda. Quando é dentro do nosso país temos muito medo de expor a nossa voz. E eu acho que a nossa geração acaba por fugir a essa regra porque somos capazes de renegar a muito do que nos era incutido. Por exemplo, eu sempre fui habituado a comer carne e hoje em dia não como. Foi-me incutido durante muitos anos que carne faz bem mas eu fui capaz de tomar a decisão e pensar que não quero comer carne por este, aquele ou o outro motivo.

DF – Sim. E a nossa geração, eu pelo menos sinto-o, não tem medo de evoluir e de assumir que errou. Nós não temos medo de expor que estivemos mal.


Há mais abertura para as vossas falhas ou para as falhas do mundo?

DF – Enquanto geração, sim. Enquanto Portugal, nem tanto. Por exemplo, se eu me assumisse lésbica não sei como é que a minha família me aceitaria mas os meus amigos aceitavam-me perfeitamente. Se eu decidir ser vegetariana ou vegan, os meus amigos vão rapidamente adaptar-se mas a minha avó dá-me uma sopa com feijão, carne e enchidos. Dentro da geração acho que há espaço para evoluir, para errar porque somos bombardeados com o mundo. Se os Estados Unidos estão a evoluir, nós recebemos isso… os meus pais recebem mas podem não querer captar.


Os jovens e os jornais
A sociedade evoluiu e, com ela, evoluiu também a forma de comunicar. As informações – nem sempre as mais fidedignas – chegam à velocidade de um clique e os jovens já têm dificuldade em priorizar o papel. O Ponto tem de evoluir, pedem.


Qual de vocês lê o jornal O Ponto?

ZV – Ele chega a casa e eu vejo se fala de algum dos meus amigos… [risos]

JC – Sinto que os jornais é algo que a nossa geração já não lê tanto porque temos outras comodidades. Temos muito mais facilidade [no acesso à informação], se for preciso há uma data de aplicações que nos dizem logo as notícias todas de manhã e não temos de andar à procura da informação. Ela chega-nos mesmo sem nós querermos. Infelizmente, os jornais estão a cair em desuso. Na rádio também sinto que muita gente já não ouve, é mais Spotify e outras aplicações.

DF – Eu também sinto que os jornais não evoluíram. Estão como estavam há 20 anos. E para atingir a nossa geração é preciso ter uma comunicação diferente. Eu sinto que o jornal O Ponto tem uma comunicação para os meus pais. Não é que isso seja mau… mas está especializado.

ZV – Há sempre espaço para evolução e já se veem coisas nos jornais de hoje que não se viam há 20 anos. Rubricas, opiniões, foco numa faixa etária mais jovem… acho que já começa a haver uma maior adaptação mas também se vê que o público alvo dos jornais não são crianças, não são jovens…

DF – Não é por eu não comprar um jornal que não estou a ler notícias todos os dias no meu telemóvel.

Conseguem perceber que isso é propício à desvalorização da informação trabalhada ou até verdadeira? Vivemos numa era em que facilmente se confunde jornalismo com transmissão de fake news…

JC – Eu sou daquelas pessoas que não confia logo no que lê ao início e tenta procurar um pouco mais e pesquisar se é mesmo assim. Porque temos jornalistas que gostam realmente do que fazem e tentam colocar informações fidedignas e depois também sabemos que há jornais e revistas em que os próprios títulos são mais cativantes – sensacionalistas – e em que a informação não é bem como foi transmitida.

ZV – Sim, nós acabámos por ganhar um certo filtro em relação às fake news.

DF – E em relação aos conteúdos pagos, eu acho que a nossa geração ainda não está para aí virada porque não ganha um rendimento fixo. E eu sinto que a geração acima de nós podia ser o foco desses conteúdos pagos mas eles não foram habituados a isso.

ZV – Acho que isso também depende da estratégia de marketing da revista ou do jornal. Voltando ao mundo digital, o que acontece hoje em dia é que os próprios meios de comunicação tentam pegar em pessoas com influência para atrair o seu público. Se colocarem uma influenciadora na capa do jornal ou a dar uma rúbrica exclusiva é óbvio que parte do público dessa pessoa vai comprar e adquirir um conteúdo que é pago.

Há bocado falavam que os jornais estavam algo especializados em faixas etárias mais velhas… Que conteúdos gostavam de ver n’O Ponto?

ZV – Acho que essa questão também se colocava pela própria estética do jornal. A estética de um jornal não é apelativa a uma faixa etária mais nova. Quanto ao conteúdo… é pegar naquilo que anda a ser falado no mundo mais jovem, nas redes sociais, na nossa faixa etária, o que são os nossos interesses. Interessa-nos saber factos, testemunhos de pessoas a falar sobre áreas diferentes. Ou ofertas de atividades no distrito de Aveiro, escapadelas para fazer com amigos em tempos de pandemia. É uma geração que se quer divertir, quer experimentar, quer fazer coisas novas.

DF – E nada disso vai funcionar se a comunicação for a mesma. Tem de ser uma comunicação juvenil, muito mais simples e sem tanto “paleio”. Nós queremos chegar a um jornal e ver que neste dia vai acontecer isto. Abrimos, fechamos o jornal e sabemos a informação toda… A comunicação para um jovem é uma comunicação muito rápida.

ZV – Mas também não se pode pedir a um jornal para adaptar completamente a sua estrutura e maneira de ser para se adaptar a um certo público. Se um jornal se tentar adaptar só à faixa jovem vai perder toda uma camada de consumidores que efetivamente tem um salário e compra um jornal. Também se tem de ser inteligente nesse sentido… dá para combinar as duas coisas, talvez tenha de se comunicar melhor para os mais jovens saberem que a comunicação para essa faixa etária existe.


Esse desejo de comunicação rápida também pode advir do excesso de formas, de meios de comunicação. É por isso que o jovem quer uma resposta rápida?

Todos – Claramente. Sim. Exato.


Vale a pena viver em Vagos?
Os territórios devem satisfazer as necessidades das suas populações. Cumpridas as mais básicas, surgem outras necessidades e ânsias que podem (ou não) ser satisfeitas. Mas o que procuram estes jovens? Será que vale a pena apostar em Vagos para viver ou o concelho já deixou de ser atraente para quem vive numa “aldeia global”?


Olhando para Vagos… O que é que falta no concelho?

ZV – Tanta coisa. Vagos tem um potencial ridiculamente gigante.

JC – E aproveita muito mal aquilo que tem.

DF – Sim.

ZV – Muito pouco… basta olhar para o que temos à nossa volta, a paisagem, a localização geográfica. Tudo o que poderia ser feito ao nível de atividades náuticas e promoção da ria. Ao nível de atividades e de promoção da cultura, devia ser feito para as pessoas de cá. Eu acho que só são feitas coisas boas em Vagos quando é para as pessoas de fora. Acho que falta muito aproveitar o nosso concelho para os nossos habitantes. Eu olho para Vagos e penso… onde é que me vou divertir com os meus amigos? Não há quase nada para fazer.

DF – Falta investir nas pessoas de Vagos.

JC – Entender melhor quais são as necessidades dos habitantes. Coisas simples… criar uma piscina municipal como existia antigamente. Temos imenso espaço e temos meios para o fazer.

ZV – E rentabilizar o concelho para os habitantes vai acabar por abrir portas a todos os de fora. Não é por tentarmos fazer coisas para as pessoas de fora que elas vêm. Se as pessoas de dentro gostarem, essa é a maior promoção para as pessoas de fora. Basta pensar na quantidade de atletas que há no concelho de Vagos e não há espaços públicos, não há espaços de treino, não há espaços de nada. Nós temos dos melhores atletas de surf que vai a campeonatos nacionais e não há um skate park. O próprio espaço de atletismo, se não fosse o estádio construído há pouco tempo… E quem diz no desporto, diz na área da cultura. Há tanta coisa e tantos vaguenses com tanto talento – o jornal deve saber melhor do que toda a gente – que não têm oportunidades no concelho e que não crescem aqui. Isso valorizaria o concelho, dentro e fora.

DF – Mesmo dentro do concelho, há pouca divulgação disso… temos grandes talentos cá que ninguém conhece.

ZV – A maior parte só se conhecem por causa do jornal, não se conhecem por outro meio.

DF – E há coisas que não requerem um grande investimento. Um skate park é um investimento mínimo. A limpeza constante dos sítios, para que isto seja mais apelativo, é algo que não tem muito investimento… eu vivo em Viseu e é uma cidade limpa de 2 em 2 semanas. Não há lixo em Viseu e há flores por todo o lado. Requer investimento inicial mas a longo prazo vale a pena.

ZV – Falando outra vez da parte geográfica, nós temos a sorte de ter praia, ria, floresta… temos tudo e mais alguma coisa. Temos imensa paisagem no concelho e sinto que nada é aproveitado. Temos uma mata enorme e não há qualquer tipo de atividades promovidas na mata, se há é só uma ou duas por ano. Vemos uma Vagueira que está parada no tempo em comparação a uma Costa Nova ou uma Barra… nós temos uma parte da costa aveirense que podia ser melhor aproveitada. Estamos colados às praias mais conhecidas em Aveiro e não há qualquer tipo de valorização. E isso acaba por ser o mais triste para a nossa geração. Nós vemos o tempo a passar, vemos a paisagem que não é aproveitada, o concelho não evolui, as oportunidades não são criadas para que as coisas aconteçam e isso desvaloriza o concelho. Não há preocupação com os habitantes de Vagos.


Como é que “vendem” Vagos aos vossos amigos na universidade?

ZV – Eu vendo sempre Vagos pela paisagem. Porque pelo que se passa em Vagos… é um pouco difícil pegar em alguma coisa. Falamos do Vagos Metal Fest…

JC – Muitas vezes eu pergunto se sabem onde é a praia da Vagueira e dizem que não. Se perguntar pela praia da Barra e da Costa Nova já sabem e eu digo que é a praia ao lado.

DF – Sempre que eu falo do sítio onde vivo, digo que tenho praia a 10 minutos de casa. Eles chegam aqui… já aconteceu trazer amigos de Viseu para cá e perguntarem-me o que é que vão fazer. Já fomos à praia e depois? Vamos para a cidade porque cá não acontece nada.

Onde e como se imaginam daqui a 20 anos?

Todos – É uma pergunta difícil, muito complicada.

ZV – Tentar fazer uma perspetiva sem saber como está o mundo daqui a 20 anos… porque isto evoluiu muito nos últimos 20 anos. É difícil. Pessoalmente, espero estar bem a nível pessoal, realizado a nível profissional. Saber que não estou a acordar todos os dias desmotivado para o trabalho que tenho de fazer. Acho que esse é o fator principal, eu gostar do que estou a fazer.

DF – O meu objetivo principal – e já começa a ser esse o meu pensamento – é, aos 40 anos, ter família constituída e estar estável, ser bem sucedida. Diga-se bem sucedida por aquilo que o Zé estava a dizer… estar a gostar do que estou a fazer, não estar a fazer por obrigação. E espero não deixar de ter os meus hobbies, não deixar de sair. Não gosto do pensamento de termos de poupar para algo quando depois nem gastamos esse dinheiro. Acho que é essencial visitarmos sítios, ir passear ao fim-de-semana, seja em Portugal ou lá fora.

JC – Eu partilho dessa opinião. Espero, daqui a 20 anos, acordar de manhã e sentir que tenho a sorte de fazer aquilo que gosto e que consigo estar bem na vida, até a nível de saúde.

ZV – Na sociedade em geral que sejamos todos menos egoístas, que deixemos o nosso egoísmo de parte por um bem maior.


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