No dia 12 de julho, o Agrupamento de Escolas de Vagos (AEV) debateu a importância da motricidade infantil e a necessidade de colocar miúdos “a mexer” desde tenra idade. Uma Conferência que decorreu no Centro Escolar de Fonte de Angeão e que teve como convidado o professor Carlos Neto, catedrático da Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa (UL), e um dos maiores especialistas mundiais na área da brincadeira e do jogo e da importância dos mesmos para as crianças.
Presença confirmada após convite de Paulo Branco, presidente do Conselho Geral, que levou o investigador a não hesitar “em poder estar com os docentes do AEV, principalmente com os que se dedicam à Educação no Ensino Pré-Escolar e 1º Ciclo de escolaridade e compreender o notável trabalho que têm desenvolvido e o entusiasmo em tentar mudar o paradigma de funcionamento da escola para uma visão mais ativa, saudável e democrática”, indicou a’O Ponto. “Um trabalho sério só se poderá fazer no momento atual na educação, vida saudável e desporto se o trabalho se realizar em conjunto em cada comunidade: escolas, autarquias e famílias”, salientou.
Carlos Neto apontou que a inatividade física e o analfabetismo motor está bastante presente nos dias que correm. “A inversão desta tendência pode ser alcançada através de políticas públicas que promovam mais atividade física regular, uma educação física consistente no contexto escolar, atividades desportivas na escola e nos clubes desportivos. Uma relação mais próxima com a natureza, colocar o corpo em situações de maior nível de risco e desenvolver atividades lúdicas e desportivas em grupo é um grande desafio para a saúde pública dos cidadãos do século XXI”, afirmou antes de apontar que os benefícios são mais do que comprovados pela investigação científica “no âmbito da saúde pública e na educação através da melhoria do desenvolvimento das competências motoras, cognitivas, emocionais e sociais”.
Elogio a Vagos
O trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo AEV nos últimos anos, com estratégias para fomentar a atividade física precoce e ainda para potenciar a ligação de alunos ao território, foi motivo de elogio por parte do investigador. “É notável em todos estes setores com grande desempenho de todos os seus profissionais. Deveria constituir ‘um estudo de caso’ para o desenvolvimento de projetos em todo o território, através das políticas e metodologias adotadas no desenvolvimento da cultura motora e desportiva de crianças e jovens, através de uma visão estratégica integrada e trabalhando em rede. Deve ser realçada esta experiência do concelho de Vagos e muito bem desenvolvida na obra já publicada por Paulo Branco e Hugo Martinho: A Escola Pública e o Desenvolvimento Desportivo – da conceptualização à operacionalização: o caso do Agrupamento de Escolas de Vagos. De facto, uma obra prima no nosso setor que necessita de ser divulgada e adotada por todas as instituições ligadas à promoção da Educação Física e Desporto”, respondeu.