Câmara de Vagos vai encerrar o Museu do Brincar para obras profundas no antigo mercado

Vagos
Emidio

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A câmara municipal de Vagos prepara-se para encerrar o Museu do Brincar de forma a poder avançar com obras profundas no edifício do antigo mercado, onde o museu funciona atualmente. A decisão foi aprovada na reunião do executivo de 4 de dezembro, após o presidente Rui Cruz dar nota das “graves infiltrações” que estão a colocar em risco o espólio e o normal funcionamento do espaço.

O contrato de municipalização, celebrado a 20 de janeiro de 2023, previa que o Grupo Cénico Arlequim disponibilizasse ao Museu do Brincar uma equipa técnica – inicialmente constituída por cinco pessoas – em contrapartida de um apoio financeiro anual da autarquia. “Ao longo dos anos, o apoio financeiro tem vindo a ser progressivamente diminuído e adaptado ao apoio técnico prestado em função do número de colaboradores” – atualmente a equipa é formada apenas por Carlos Rocha e Ana Barros. O executivo justifica a intenção de cessar e não renovar o contrato sobretudo pela necessidade de uma intervenção estrutural no edifício e pelo “previsto encerramento do museu por um período superior a um ano”, circunstância que, segundo a deliberação, “não justifica manter a atual parceria de apoio técnico especializado”.

À margem da reunião, o autarca esclareceu que a notificação de não renovação “tem de ser feita com, pelo menos, um ano de antecedência”, produzindo efeitos no final de 2026. No entanto, sublinhou que o encerramento do museu acontecerá antes disso: “O Museu do Brincar vai encerrar o mais rapidamente possível, porque as infiltrações estão neste momento a danificar o espólio”.

O acervo – mais de 12 mil peças adquiridas pelo município – será retirado do edifício e ficará sob guarda da autarquia. A sua exposição ao público dependerá de um espaço alternativo, ainda em avaliação. A inventariação completa deverá estar concluída até 31 de março de 2026, seguindo-se a contratação de uma entidade especializada para avaliar peça a peça. “Queremos saber qual foi o espólio adquirido, qual o valor das peças e qual o valor da coleção”, afirmou Rui Cruz, criticando o facto de essa avaliação não ter sido feita antes da compra.

Paralelamente, o município vai avançar com os projetos de reabilitação do antigo mercado, ponderando se o edifício poderá vir a acolher novamente o museu. Ainda assim, o presidente reafirma a ambição de recuperar o conceito original: “Sempre defendi um edifício próprio para o Museu do Brincar, com espaço expositivo, espaço lúdico interior e uma componente ao ar livre. Esse é o projeto que quero levar a cabo”.

O ponto foi aprovado por maioria, com abstenção dos vereadores da oposição.

 

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