Jacinta e António Bastos lançam “Luna Bar”

O jazz que vai fazer ‘levantar o pó

Região de Aveiro
Sandra Oliveira

Partilhar:

Jacinta é o nome que tem vindo a colocar Aveiro e a Gafanha da Nazaré na vanguarda do estilo jazz há mais de 20 anos, desde a sua primeira presença no programa “Chuva de Estrelas”. O mediatismo desde então é notável, continuando assim, a encher espetáculos em qualquer cidade por onde passa.

Uma vista-rio e à sombra de um café da tarde fizeram dos Jardins do Cais da Fonte Nova em Aveiro o cenário ideal para a agradável conversa que tivemos com Jacinta Ram… (“só Jacinta!” interrompe animadamente), Joana Maria Pereira e António Bastos.

Com um novo disco - o “Luna Bar” -Jacinta estreia-se na música eletrónica ao lado do músico e também produtor António Bastos, numa mescla de jazz e eletrónica que nem os próprios conseguem catalogar.


Como se identifica o jazz que nos apresentam?

‘Alternative jazz ou eletronic jazz’, atira descontraidamente António Bastos, mas esta incerteza fez a manager de Jacinta e produtora do projeto “Luna Bar” , Joana Maria Pereira, explicar este disco: “Eu produzo os discos da Jacinta desde 2007 e para todos eles, nós tínhamos um conceito, uma linha orientadora. Mas, neste disco queríamos transmitir uma linguagem diferente e não foi atoa que fomos buscar o António Bastos. Além de já ser um projeto antigo, decidimos fazer este disco sem um conceito, sem uma linha orientadora das músicas que íamos tocar. Entrámos os 3 em concordância e seguimos com isto para a frente”.


Pois é, e se associa à música jazz uma batida harmónica, suave, com azo a uma dança slow que tão bem assenta em determinados sons, este vem quebrar todos os conceitos defendidos pelos puristas de jazz. Um disco ‘anti jazz’ assim define Jacinta que vê a sua voz encaixada em instrumentos “novos e modernos” tocados por António. A esta mistura, junta-se uma ‘pitada’ bem conterrânea com a introdução da guitarra portuguesa em todos os 10 temas presentes no disco.


Qual o resultado final?

António Bastos: São sons reformulados eletronicamente que vão causar mais intensidade a nível de movimento de ondas. São instrumentos que são transformados respeitando o acústico (...) causam impacto e dão logo vontade de dançar. Os arranjos foram feitos dentro de uma perspetiva de festa, de mover e fazer abanar a anca [risos]. Joana Pereira apressasse a afirmar: “Esta reformulação do jazz na música eletrónica é uma coisa totalmente nova que eu acho que se não formos os primeiros a nível mundial, estamos muito lá perto.


E foi precisamente Joana Pereira ou Joana Gil - nome que adotou para o mundo artístico - que deu início a este projeto. Em plena pandemia trocou o escritório pela humilde mesa do bar que acabou por dar nome ao disco, o “Luna Bar” na Praia do Labrego, em Vagos. O ar descontraído e o som do mar serviram de inspiração à escrita das letras que, depois de feitas, caíram nas mãos do produtor António Bastos.

Jacinta: A Joana foi, cerca de um mês seguido, ao Luna Bar e de vez em quando escrevia inspirando-se em tudo o que ela via.

Joana: Escrevi uma das letras lá, que foi a primeira canção do disco.

Jacinta: Depois, nós desafiamos o António a fazer uma produção para as nossas músicas.

António Bastos: Mas a ideia não foi fazer uma primeira música de um clássico de jazz? Depois lá disse que não estava para aí virado e até perguntei o que é que tinhas aí na mesa de cabeceira a nível de originais.

Joana Pereira: E como tinha acabado de escrever a letra do “Luna Bar”...

Jacinta: Passámos-lhe então essa música e adorámos o que ele fez.. O resultado final foi fantástico! E para mim é o melhor tema do álbum.


Dois meses de produção à distância se seguiram, movidos por um grande objetivo que era o de angariar fundos para a União Audiovisual, uma associação que apoia o pessoal técnico das áreas da cultura e dos espetáculos. Como? Através de uma campanha de crowdfunding que é nada mais nada menos que uma forma de angariar donativos para produção do disco em que todas as receitas revertiam a favor da União Audiovisual.

Durante a campanha, António Bastos produzia os sons, trabalhava os arranjos e a instrumentação para todos os temas, enquanto Jacinta cantava por cima. “Muitas vezes odiávamos e ele tinha de refazer tudo” confidencia a cantora.

Já a produtora do disco, para somar a toda a responsabilidade que tinha em mãos e com vontade de surpreender ainda mais decidiu convidar 4 artistas para fazerem parte do álbum.

Joana: Temos a cantar com a Jacinta o Paulo de Carvalho, em ‘A formiga do carreiro’, a Mónica Ferraz em ‘Sinhá’, a Inês Castelo Branco com o tema ‘Can’t take that away from me’ e a Joana Gil (a produtora e manager) em ‘See the moon’.


Disponível em mais de 100 plataformas de streaming

“Luna Bar” já deu que falar entre os simpatizantes de música eletrónica, mesmo depois de António Bastos nos confessar que não estava à espera que gostassem.

António Bastos: A malta da eletrónica ficou super surpreendida e tive feedbacks brutais quando coloquei um ‘sub grave’ no meio de uma entrada do Paulo de Carvalho com uma batida ‘afro’. [Levanta-se de entusiasmo e diz] Aquilo levantou o pó todo [risos].


Quanto à interpretação eletrónica do jazz de Jacinta, António tem recebido opiniões que o satisfazem ainda mais.

António Bastos: O que me têm dito sobre este disco é que nem sabem bem o que isto é: se é jazz, se é eletrónica.. isto é o pessoal a querer sempre catalogar as coisas. E quando me dizem que não conseguem identificar o que isto é, para mim estão a gabar-me o disco!

Para mim, quer dizer que é uma ‘cena’ super original, que nem se sabe onde devemos colocar… Criámos uma cena que não está ouvida, criámos um novo conceito.

E neste entusiasmo contagiante dos três, a conversa direciona-se para os palcos. Há dois meses fora dos estúdios e já a fazer-se ouvir na Antena 3, Rádio Nova e Smooth Fm, cresce em “Luna Bar” a ânsia de voltar à estrada. Os cancelamentos e as remarcações de concertos colocam a equipa de técnicos e artistas que acompanham Jacinta a trabalhar sob “areia movediça”, diz a manager. Ainda assim, o primeiro e único espetáculo, até à data, deste recente projeto aconteceu em Oliveira do Bairro com a banda filarmónica da Mamarrosa. A 5 de fevereiro é a vez da cidade do Porto receber a cantora no espaço Mola, e no dia 12 a vez do Cine Teatro Alba em Albergaria-a-Velha. 

Ler Mais

Galeria de imagens

Jacinta e António Bastos_ Luna Bar_Aveiro.jpg