Partilhar:

Alice Domingues - Aluna 12º ano Colégio de Calvão

Nos dias de hoje, vemo-nos constantemente rodeados de intolerância e julgamento, um mundo onde cada vez mais se perdem as relações humanas, dando estas lugar ao distanciamento, ao ódio e à apatia. É por isso importante que nesta época natalícia nos lembremos do seu verdadeiro propósito, o amor e a união, sem nunca esquecer que a empatia é o melhor presente.

O ódio desenfreado e o julgamento sem limites, a que cada vez mais estamos expostos, surgem um pouco por todo o lado, com especial destaque nas redes sociais. Penso que tal acontece graças ao “anonimato” conferido por estas plataformas. Quando alguém tem uma opinião ofensiva e discriminatória, que talvez ocultasse em público, pode ceder à cobardia de atacar, quer seja por ter uma opinião divergente, ou por não gostar da aparência ou das escolhas dos outros.

A intolerância extrema face a tudo e a todos, dá lugar a algo ainda mais grave e preocupante, a Guerra. Pois, embora gostemos de dizer que vivemos num mundo civilizado e desenvolvido, não há nada como o contexto de guerra cada vez mais presente, para nos lembrar de que ainda não o somos. Seria de esperar que tivéssemos aprendido mais com a história recente, mas as guerras, algumas tão perto de nós, como a da Ucrânia ou o genocídio em Gaza, mostram-nos que a ganância, o egocentrismo e o nacionalismo exacerbado dos mais poderosos levam ao sofrimento de milhões de pessoas.

Só um olhar humanizado nos pode desenvolver a convicção de que a única solução é a empatia, pois é ao colocarmo-nos no lugar do outro que conseguimos tolerar e respeitar a diferença, aprendendo com quem nos rodeia, sem sentimentos de grandeza ou superioridade. Vermos todos como iguais e aprender que não é possível ser feliz através do ódio.

Assim, enquanto muitos veem um mundo a preto e branco, cabe a cada um de nós escolher ver a infinidade de cores e facetas de um mundo que tem tanto para explorar e tantas pessoas para conhecer.    É este o Natal não só de presentes e votos rotineiros, mas sim de um amor profundo e verdadeiro.               

É este o Natal de que precisamos: não de uns dias de símbolos vazios, mas sim de uma época em que ouvimos e compreendemos os outros, em que não faz mal pensar diferente, em que a empatia anda no ar e renasce a cada dia.


Ler Mais