Pedro Neto - Colaborador
Ao receber o desafio de Natal d’O Ponto, andei a pensar em alguma história que pudesse servir de mote contar, para inspirar quem me lesse, ao tema. À empatia. Noutras ocasiões escreveria sobre o contexto internacional e a importância que a empatia, o exercício de compreender o ponto de vista e as necessidades do outro, podia ser um caminho eficaz para a paz.
Desta vez, não o farei. Vou falar de mim, da experiência que tive o privilégio de viver há pouco tempo e do quanto isso me enriqueceu, precisamente pela empatia que a minha terra me deu ao acolher-me numa aventura política.
Fui candidato nas autárquicas. O PS local desafiou-me a essa aventura e primeiro reticente, o “não” era a resposta óbvia. Mais tarde e com reflexão pessoal e familiar veio o “vamos a isso”. Saber que as hipóteses de eleição seriam ínfimas ajudou à liberdade de avançar para a liberdade de estar. Participei em eventos, debates, conversas. Visitei pessoas e instituições. Vi o melhor e o pior da nossa comunidade.
Vi e senti a maior empatia, de tantas pessoas. Também vi a empatia teatral de muitos que com uns são de uma maneira e com outros já são de outra. Vi também gente tão bruta quanto uma parede com a diferença de que esta não insulta ninguém.
A política - em teoria - é uma das coisas mais nobres da humanidade: é estarmos de braços abertos, é acolhermos toda a comunidade e preocupações, é servirmos o bem comum no melhor interesse para a nossa terra. É o privilégio de melhorarmos a vida de toda a gente e de fazermos este nosso quinhão de Terra ficar o mais bonita possível! Haverá desígnio maior?
Infelizmente - e na prática - a política não é nada do descrito acima.
Aproveitei uma carta de ética para a campanha e enviei a todos os colegas candidatos para nos comprometermos e subscrevermos. Só um assinou comigo. Outro até me insultou por causa da mesma. Deve ter sido por estar sempre muito nervoso pois apostava o futuro profissional na eleição e não tinha a sorte de ter a liberdade que eu e os outros candidatos tínhamos. Tudo está desculpado.
Acredito que fiz com os meus companheiros uma campanha honesta, poucos meios, mas bem geridos. Uma campanha digna, com ideias, com uma visão para a terra.
Passados quase três meses, foi isso que ficou: a empatia. Reencontrar pessoas que me viram miúdo e de ter a perspetiva de trabalhar por elas. Fossem simpatizantes de que clube fossem, perdão - de que partido fossem – por todos fui acolhido com simpatia e empatia.
Estas, juntamente com “compaixão”, significam etimologicamente “sofrer com”, “ter paixão por”.
E isto só se sente por quem se conhece, por quem se cuida e quer cuidar. Por quem pensa os caminhos da vida em conjunto.
E não será isto mesmo, a política?
Por definição sim, mas depois há jogos, interesses, lutas e ataques. Programas e visão? - Para quê se não contam nada na hora de ganhar ou perder. Há promessas vãs e repetidas, há máquinas montadas, cassetes a rodar. E lá se vai a empatia, o “caminhar com”. Os meios justificam sempre os fins na política pequena.
Suspiro e penso no quão diferente e mais luminoso seria Vagos, no quão diferente seria o mundo se o motor das vontades fosse mesmo a empatia!
Aceito, em paz com a vida, que tudo isto é um processo e um caminho e não se pode desistir dele. É preciso insistirmos. É preciso brincarmos juntos, de preferência com museu e cultura, pois é nestes lugares de exercício que nasce a empatia, que surgem as soluções, as ideias e a vontade de fazer.
Em comunidade tudo se consegue! Não nos escudamos na falta de dinheiro.
Feliz Natal e que 2026 seja cheio de empatia. É o motor para o avançar do mundo.
Pedro Neto
Filho da Rosa e do Graciano.
Santa Catarina. Vagos.