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Joaquim Pires Plácido - Colaborador

Nos últimos dias, o recém eleito presidente da Jota do PP de Vagos manifestou indignação pelo uso do termo “trabalhador” num debate na assembleia da Republica. Essa reação merece reflexão, porque não estamos perante uma simples questão semântica, mas sim diante de uma disputa sobre o significado social e político do trabalho. A palavra trabalhador não é um insulto, nem uma redução da dignidade de quem exerce uma profissão. Pelo contrário: é um termo consagrado na Constituição da República Portuguesa, nos contratos de trabalho e em toda a legislação laboral. É a palavra que garante direitos, que reconhece deveres e que dignifica a centralidade do trabalho na vida em sociedade.“Colaborador” não substitui “trabalhador”.Nos últimos anos, algumas empresas preferiram usar o termo “colaborador”. É uma escolha legítima no plano da comunicação interna, mas não tem o mesmo peso jurídico nem histórico. “Colaborador” sugere parceria e cooperação, mas não traduz a realidade da relação laboral, marcada por hierarquias, deveres e direitos. Ao indignar-se com o termo “trabalhador”, o jovem presidente da Jota do PP ignora que todos os colaboradores são trabalhadores, mas nem todos os trabalhadores são colaboradores. O primeiro termo é simbólico e empresarial; o segundo é jurídico, coletivo e constitucional. A dignidade está no trabalho. O que dignifica uma pessoa não é o rótulo que lhe atribuímos, mas sim o valor do seu trabalho. Seja na fábrica, na escola, no hospital ou na autarquia, cada trabalhador contribui para o bem comum. Negar ou desvalorizar essa palavra é negar a história das conquistas sociais que permitiram férias, salário mínimo, proteção na doença e na velhice. Como questão política, para um jovem que já esta no autocarro para ser colaborador no futuro, esta  indignação contra o termo “trabalhador” não é inocente. É uma tentativa de esvaziar a dimensão coletiva do trabalho, substituindo-a por uma linguagem empresarial que dilui hierarquias e responsabilidades. Mas a democracia portuguesa construiu-se com base na valorização dos trabalhadores — homens e mulheres que, com esforço e solidariedade, conquistaram direitos e dignidade. Caro presidenta da jota PP de Vagos , a saudade de outros tempos  começa pelo uso  de uma linguagem insidiosa , que depois se torna numa variante inocente das mesmas palavras, explico alguns termo do  novo léxico:

Trabalhadores são colaboradores.

Patrões são empreendedores.

Trabalhadores as área da saúde , são profissionais da da Saúde

Camaradas são colegas.

Convívio é festa, etc, etc

Defender a palavra “trabalhador” é defender a Constituição, a história e a dignidade de quem vive do seu esforço. É recusar a ideia de que o trabalho pode ser reduzido a uma etiqueta suave, que esconde desigualdades e fragiliza direitos. Em Vagos, como em todo o país, devemos orgulhar-nos de ser chamados trabalhadores. Porque é no trabalho que se constrói a liberdade, a justiça e a solidariedade.

Voltarei...


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