“Vai ser uma noite só de Bairrada” anunciaram os sommeliers presentes depois de abordarem os “duelos” de vinhos que iriam decorrer em quatro dos cinco pratos servidos.
Ao terceiro dia abriu-se espaço para o jantar gastronómico “As memórias”. O primeiro prato ficou a cargo do chef Diogo Novais Pereira (Porinhos, Guimarães) que confecionou pastéis de massa tenra de feijoada à transmontana. Um pequeno pastel – um amuse bouche, como explicou o chef – que surgiu harmonizado com um Frei João de 1996, um “tinto à moda antiga”, e com um Poeirinho de 2015, um branco refrescante, ácido e persistente. Na mesa? Falta de consenso em relação à melhor harmonia. O segundo prato trazia gordura e acidez com um prato de truta e cebolas preparado pelo chef António Queiroz Pinto (Tormes, Baião). Novo duelo com dois vinhos brancos, um Marquês de Marialva Grande Reserva de 2015 e um Colinas Grande Reserva de 2009. “Um vai exagerar o prato, o outro criar opulência. Qual o melhor? Os dois. O Marialva era o preferido sem prato. Mas com prato... ganhou o outro.
A cargo do holandês Michel Van Der Kroft ficou o terceiro prato da noite. Carabineiro com bacalhau, alcachofra e chouriço. No “duelo”, o risco de servir um tinto para “quebrar com aqueles preconceitos de que os brancos são para peixe e os tintos para carne. E que bem encaixou o tinto, um Luís Pato Quinta do Moinho de 1998 já da coleção pessoal do produtor.
Quarto prato? Leitão do Mugasa, considerado por muitos como um dos melhores locais para comer a iguaria em Portugal. Local – e prato – que arrancou imediatos elogios à mesa e acompanhado por um espumante e por um... vinho branco, um Campolargo Cerceal de 2017. Para fechar? Uma sobremesa elaborada pelo chef vaguense Tiago Vidreiro (Il Gallo D’oro, Funchal). Banana, Maracujá e bolo de mel. “Foi a melhor sobremesa que já comi”, ouviu-se. Acompanhada por um Abafado da Quinta das Bageiras. Um “blend” dos anos de 2004, 2005 e 2007. Um lote único como explicou a representante da quinta que se encontrava na mesa. “É uma edição muito limitada. E só foi engarrafado por ser o evento que é”.
No final, Michel Van Der Kroft surpreendeu tudo e todos com os conhecidos pastéis de nata. E no final? No final ouviu-se “E viva a Bairrada!”.