Liliana Seroto Rocha Coelho - Colaboradora Enfermeira
O Natal chega cada vez mais cedo às principais avenidas, centros comerciais, praças e supermercados. Há luzes nas lojas, árvores gigantes ou penduricalhos, rabanadas e bolos-reis. Há magotes de gente desenfreada a fazer compras para o natal. Há prendas e prendinhas, leitão a competir com bacalhau, patos e perus.
O Natal transcende a efeméride do calendário, revela-se um período impregnado de significados que vão muito além do material. É uma celebração que, no seu âmago, convoca-nos a estar presentes.
Nestes dias que apelam à empatia, é importante recordar aqueles que estão longe casa, que emigram, em busca de melhores condições de vida, ou quem a guerra obriga a fugir. É importante recordar os deprimidos, solitários, os que perderam tudo, os sem-abrigo, os que um dia tiveram Natal e um lugar à mesa, os que contavam piadas antes de abrir as prendas numa meia-noite que se tornou ferida aberta. Acredito que para esses são os piores dias do ano. Cada enfeite é uma prova de derrota, de tristeza. Cada bola na árvore dos outros, cada luz que pisca em casas que imaginam aquecidas é um grito mudo, um xeque-mate num tabuleiro sem peças.
Numa sociedade cada vez mais conectada, paradoxalmente, a distância e a indiferença parecem instalar-se. A capacidade de se colocar no lugar do outro, compreender as suas perspectivas, é muito mais do que uma simples demonstração de bondade. É a base para a construção de pontes num mundo fragmentado, desafiando preconceitos e fomentando o diálogo construtivo.
A empatia ajuda a reconhecer as nossas próprias vulnerabilidades e a aceitar a imperfeição, tanto em nós quanto nos outros. É mais do que uma virtude; é uma necessidade. Cultivar a empatia exige esforço e dedicação. É preciso praticar a escuta atenta, tentar entender diferentes perspectivas, questionar os nossos próprios preconceitos e estar disposto a aprender com os outros.
O mundo clama por conexão, compreensão, a empatia é a chave para um futuro mais próspero e humano. Ao praticá-la, estamos a plantar sementes para um mundo mais justo, compreensivo e harmonioso para as gerações futuras. Ela é o alicerce para a construção de um mundo onde a diversidade é celebrada, a compaixão prevalece e a esperança floresce com significado, muito para lá de qualquer luxuoso embrulho. É desses momentos e das pessoas que os tornam memoráveis que nos lembramos, não dos presentes que recebemos.