Segundo um estudo recente realizado por um investigador da Universidade da Beira Interior há 61 concelhos em todo o país sem qualquer tipo de imprensa. São cerca de 20%, os concelhos do país que vivem num deserto de notícias. Locais onde a população precisa de recorrer a meios informais para saber o que vai acontecendo na sua comunidade, com todos os perigos que isso acarreta. Uma escassez de informação que pode limitar o desenvolvimento destes locais e que também faz esquecer a história e as vivências de quem por ali passou.
Nestes locais, toda ou quase toda a partilha da rede social é tomada como verdade. Os julgamentos são feitos em praça pública e as sentenças aprimoram-se nos sofás de casa, numa qualquer caixa de comentários. Porque na nossa lógica contemporânea, as redes sociais tornaram-se num lugar de fabricação da autenticidade. Tal como a informação oficial de um qualquer boletim autárquico, institucional ou empresarial que é logo tomada como verdade. Até ao dia em que deixar de o ser, mesmo para quem a procurou veicular. Nestes boletins não há falhas e o jornalismo precisa de as procurar pelo bem de todos. E que bom seria se todos tivéssemos noção de que somos falíveis, que a persona que criamos pode ser perigosa para os destinos que gerimos e que as questões colocadas pelo jornalismo não são exercícios de ego, apenas vontade de querer o melhor para todos.
Atualmente, o excesso informativo é tal e a desregulação ainda maior que a propaganda prolifera de forma ainda mais pura. E o jornalismo, que deve - ou devia - ser entendido como um bem cívico, socialmente imprescindível, para permitir às pessoas tomar melhores decisões e ter confiança nas instituições, nas empresas e no mundo, começa a ficar para trás. Abrimos espaço aos convencidos da vida, a quem mais do que fazer e fazer bem, quer aparecer bem.
Nuno Margarido
Jornalista do Jornal O Ponto